TABAGISMO

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), há cerca de 1 bilhão de fumantes em todo o mundo e o tabagismo está associado a 7 milhões de mortes por ano.

A maior parte dos fumantes é dependente de nicotina. Quanto maior o número de cigarros fumados por dia, maior a chance de apresentar uma síndrome de abstinência quando ocorre a interrupção do uso. Fumar nos primeiros 5 minutos depois de acordar costuma indicar um quadro mais grave.

Cada cigarro contém mais de 4.000 substâncias, muitas ainda sem um estudo adequado de seus efeitos. Os efeitos da nicotina são fundamentalmente estimulantes. Assim, a nicotina causa uma sensação de prazer e bem-estar, aumento do alerta, sensação de aumento de concentração, aumento da energia e diminuição do apetite.

Como a meia-vida da nicotina é bastante curta – cerca de 2 horas –, o indivíduo fuma vários cigarros por dia. Parar de fumar é difícil. Menos de 5% das tentativas sem orientação de um profissional de saúde resultam em abstinência no longo prazo.

Embora o tabagismo seja resultado da dependência da nicotina, fumar também é um comportamento altamente condicionado: estados emocionais, situações ou ambientes específicos estão associados aos efeitos recompensadores da nicotina e muitas vezes desencadeiam um desejo forte de fumar (fissura) e possivelmente uma recaída.

Muitos fumantes vão requerer diversas tentativas de parar antes do sucesso: apenas 25% das pessoas que abandonaram os cigarros tiveram sucesso definitivo em sua primeira tentativa. Assim, muitos fumantes podem requerer duas, três ou mais tentativas para deixar o cigarro.

Muitos pacientes referem uma associação estreita entre o consumo de café e o de cigarros. Nestes casos, sintomas de intoxicação ou abstinência de cafeína podem se somar aos de uso e retirada dos cigarros.

Depressão e ansiedade são particularmente mais comuns entre fumantes. Preocupações com o peso devem ser abordadas logo de início. O fumante deve ser recomendado a não se preocupar demasiadamente com o peso e podem ser encaminhados a um nutricionista ou orientados sobre a realização de exercícios físicos.

O trabalho de motivação para estimular o fumante a parar deve ser o mais individualizado possível, discutindo para cada paciente qual a razão principal para sua tentativa.

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Embora usualmente se dê preferência à interrupção abrupta dos cigarros, alguns fumantes podem se beneficiar de uma “preparação” para e retirada, restringindo os locais em que fumam ou aumentando os intervalos entre os cigarros.

Quando o uso de cigarros é interrompido, instala-se rapidamente uma síndrome de abstinência. Esta síndrome é caracterizada por dificuldade de manter o alerta e a concentração, sonolência diurna e distúrbios do sono à noite, irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos, desejo pelo cigarro (fissura), aumento do apetite e do peso. Tipicamente, os sintomas atingem o auge em 2 ou 3 dias. A partir do final da primeira semana, começam a diminuir, geralmente passando dentro de 2 a 4 semanas.

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O emprego de medicação está hoje firmemente estabelecido como primeira linha do tratamento para tabagismo. Todo paciente que cogite parar de fumar deve ser aconselhado a usar medicamento, a menos que haja uma contraindicação específica. Pacientes tratados farmacologicamente para a cessação do tabagismo apresentam taxas de abstinência de 20 a 40% enquanto os sem medicação apresentam taxas de 5%.

Três medicamentos são considerados de primeira linha no tratamento do tabagismo: terapia de reposição de nicotina, bupropiona e vareniclina. Os homens parecem responder melhor ao tratamento com reposição de nicotina e bupropiona e as mulheres à vareniclina.

Os fumantes que param de fumar antes dos 30 anos têm aproximadamente a mesma expectativa de vida que os que nunca fumaram. Após a idade de 35 anos ou mais, parar de fumar recupera 2-3 meses da expectativa de vida saudável para cada ano sem fumar ou 4-6 horas para cada dia sem cigarro.

 

Abordagem Clínica da Dependência de Drogas, Álcool e Nicotina: Manual para profissionais de saúde/ Editor André Malbergier – 1. Ed. – Barueri [SP]: Manole, 2018.