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Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo


Imagem: Pexels


Apesar de nos encontramos na “Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo”, período compreendido entre 18 a 25 de fevereiro, dados do 3º LENAD (Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira - FIOCRUZ), são alarmantes. Segundo a pesquisa, mais da metade da população brasileira (12 a 65 anos) declarou ter consumido bebida alcoólica alguma vez na vida, cerca de 30,1% da população consumiu pelo menos uma dose nos 30 dias anteriores e aproximadamente 2,3 milhões de pessoas apresentaram critérios para dependência alcóolica no último ano.


Diante do exposto, fica cada vez mais evidente que as práticas de informação, bem como campanhas de prevenção, são imprescindíveis para desestimular os jovens a ingressarem no uso abusivo de álcool. Consequentemente, haverá menor parcela da população adulta e idosa com transtornos associados ao uso de álcool, acarretando em uma menor taxa de mortalidade e menos internações hospitalares decorrentes deste transtorno.


E como identificar quando o indivíduo apresenta de fato o “alcoolismo”? Para a Organização Mundial de Saúde, é considerado binge ou Beber Pesado Episódico (BPE), a ingestão de 5 doses de álcool por dia (em geral, uma dose padrão corresponde a 10 a 12 gramas de etanol puro, o equivalente a uma lata de 330 ml de cerveja ou chope, uma taça de 100ml de vinho ou uma dose de 30 ml de destilado), ou 4 doses de álcool para as mulheres. Estas pessoas que fazem BPE estariam mais susceptíveis a apresentar uso abusivo de álcool e uma consequente dependência no futuro.


Vale ressaltar, que ninguém nasce dependente, mas que fatores genéticos associados ao ambiente externo, como o uso eventual ou experimental de álcool, faz com que este uso esporádico passe a ficar cada vez mais frequente. A medida que o usuário passa a beber com uma maior frequência, há o surgimento de enorme desejo de continuar bebendo cada vez mais, gerando uma maior tolerância ao álcool e uma maior dificuldade de interrupção do uso.


Neste ponto, uma vez instalada a dependência, os prejuízos (danos físicos, financeiros, perda dos familiares e amigos, perda de emprego e problemas judiciais ou legais) são inevitáveis e o paciente jamais deixará de ser dependente alcóolico.


Quer dizer que se o paciente se torna dependente, nunca deixará de ser? Não há cura? A resposta é SIM, entretanto, há tratamento e controle da doença. Dessa forma, o indivíduo pode voltar a ter uma vida normal, trabalhar e a se relacionar socialmente sem restrições, porém, não poderá beber novamente, sob o risco de voltar ao padrão de vida anterior.

Logo, para combater o Alcoolismo, a Prevenção é o melhor caminho. O ideal é não se adentrar ao mundo do álcool e os meios de informações, campanhas de conscientização são instrumentos de suma importância, em especial aos jovens, como o Programa Youth in Iceland. (Juventude na Islândia), onde havia incentivo nas escolas ao esporte e ao não uso de álcool, reduzindo a incidência de uso de álcool de 42% dos jovens de 15 a 16 anos para 7%. Porém, sabemos que isso é um caminho muito difícil e que nos traria resultados a longo prazo. Para aqueles que padecem de um transtorno associado ao uso de álcool e já apresentam problemas, é sempre válido procurar acompanhamento com especialista ou serviços especializados para tratamento do uso de substâncias, como ambulatórios ou CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).


Dr. Matheus Cheibub David Marin

Psiquiatra e assistente do Grupo de Estudos sobre Álcool e outras Drogas - GREA - IPq/FMUSP

Psiquiatra Assistente Técnico da Política Municipal de Álcool e Drogas da Prefeitura Municipal de São Paulo-SP (Programa Redenção)

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