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Aumento de álcool e drogas na pandemia da Covid-19 é ameaça à saúde


Crédito da Imagem: desconhecido


Em 25 de junho, foi celebrado o Dia Internacional de Combate às Drogas e a associação com seu consumo neste momento de pandemia é inevitável. Em todo o mundo, a quarentena forçada pelo novo coronavírus causou reconhecidamente o aumento do consumo de álcool e drogas, o que levou a Organização Mundial da Saúde, ainda em abril, a recomendar que os países limitassem a venda de bebidas. Na África do Sul, foram fechadas as seções dos supermercados e algumas cidades norte-americanas proibiram a venda de álcool pela internet. O Brasil não apresenta restrições, além do fechamento de bares em cidades onde se adotou o isolamento social.

Mas por que as pessoas passam a consumir mais álcool e drogas diante de uma pandemia e de situações tão assustadoras ou limitadoras, como as de catástrofes e guerras?


“Esse é um modelo bastante antigo, no qual as pessoas buscam nas substâncias o que chamamos de coping, uma palavra em inglês que tem associação com a maneira de enfrentarmos os problemas e também com a nossa resiliência. É a forma como reagimos às situações de estresse, ameaça, ansiedade e desconforto emocional. Algumas pessoas respondem a esses sentimentos negativos através do uso de drogas, e é o que a gente tem percebido nessa pandemia; as pessoas acabam usando drogas mais sedativas e anestésicas (álcool e maconha, por exemplo) e usam menos drogas estimulantes, principalmente porque não estão ocorrendo as famosas raves e festas – locais que têm maior índice do uso de êxtase ou ácido. Então, sim, é uma forma de sedação, de anestesia e de reação a esses sintomas negativos ligados a sofrimento, ansiedade, estresse, imprevisibilidade – não sabemos quando vai acabar, não sabemos se vamos nos contaminar ou se as pessoas que gostamos vão pegar o coronavírus também.” Quem explica é o Prof. Dr. André Malbergier, Professor Colaborador Médico do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do GREA (Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas).


Piora na saúde mental e a Covid-19

Em sua rotina com pacientes e dependentes de álcool e drogas, Dr. André identifica que, desde março, quando começou a quarentena especialmente na cidade de São Paulo, tem-se percebido que a saúde mental das pessoas piorou. “Logo que surgiu a pandemia e esse confinamento, as pessoas tinham a sensação de que tudo acabaria em um ou dois meses, e hoje, a princípio, elas conhecem mais sobre o problema. Por um lado, isso pode ajudar, mas por outro, já ficou entendido que não vai haver uma solução mágica que mudará totalmente o panorama – apenas quando chegar a vacina, e se chegar”, explica.

Ele ressalta que as universidades, por exemplo, já informaram que só retomarão as aulas presenciais em 2021 e, assim, as pessoas passam a acreditar que nada mais acontecerá até o fim deste ano – para quem já vem sofrendo, essa sensação de prolongamento do tempo contribui para a piora da saúde mental.


Sem previsão para a normalidade pós-pandemia

A sensação de que tudo seria resolvido rapidamente também pode ter contribuído para o afastamento de muitos pacientes de seus tratamentos ou mesmo de reuniões de apoio, ainda que online. “As pessoas acharam que a pandemia poderia durar um mês, seria um prazo curto, então se houvesse o maior consumo de álcool e drogas, se elas ficassem sem dinheiro, o problema não seria tão grande, pois tudo isso iria passar. Mas à medida que o tempo aumenta e a previsão de voltar à normalidade fica mais longe, elas de alguma forma percebem que esse processo de deixar de buscar ou procurar o tratamento pode não ser saudável”, diz Dr. André.

Para tanto, no GREA, foi desenvolvido um programa chamado PAR (Programa de Acompanhamento Remoto). Este programa oferece aos pacientes do ambulatório um plantão de profissionais disponíveis por chat em horário comercial e também agendamento e realização de consulta remota online. Nos contatos, os pacientes são avaliados sobre o uso de drogas, rela